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Galeria de Arquitectura
Professora Manuela Afonso da Fonte
O pensamento em três dimensões.
A realização do projecto para uma Galeria de Arquitectura é um bom exemplo da necessidade de incutir nos alunos um método de pensar a arquitectura o mais distanciado possível do vício da planta.
A arquitectura, modelação do espaço, deve ter o seu processo criativo desligado das limitações do desenho técnico bidimensional. O esquiço realizado sobre uma planta é uma actividade que tem a sua utilidade para a resolução de problemas funcionais, mas que não deve ser evitada no processo criativo de base ao projecto.
O espaço de uma galeria de arquitectura é pensado de modo diferente do espaço de uma galeria de pintura, que se desenrola em duas dimensões.
A galeria de arquitectura tem de ter em conta as particularidades da exposição de maquetas, que devem ser examinadas tridimensionalmente, sob qualquer ponto de vista, e podem ter qualquer tamanho, desde pequenos modelos de estudo, de execução rápida e por vezes repetitiva, até maquetas de apresentação de dimensões consideráveis, ocupando uma divisão, passando por objectos menos comuns como modelos à escala real.
A ideia de base para esta galeria seria a criação de um espaço simples e aberto, com o menos número possível de entraves à visão.
O espaço disponível, não sendo tão largo como desejável, levou à opção de incluir as escadas e os passadiços no percurso da exposição, utilizando-os como pontos de vista para possíveis maquetas de grandes dimensões localizadas nos espaços mais abertos da galeria. São assim multiplicadas as perspectivas possíveis, e o espaço torna-se adaptável às diferentes exigências.
Plataformas, abertas ao meio para um triplo pé-direito, interligadas pelas escadas e passadiços, perfazem o projecto.
Exteriormente houve a tentativa de não deixar transparecer o desenvolvimento dos pisos no interior. Para tal, as fachadas foram deixadas o mais limpas possível de elementos, e os vãos são contínuos verticalmente ao longo de todo o edifício.
Dois corpos, revestidos a lâminas de pedra de ardósia, completam o exterior da galeria. Destacam-se do restante volume do edifício, não só através do contraste de cor como também pelo seu afastamento e rotação. Os rasgões resultantes deste movimento são aproveitados como vãos corridos, que iluminam o interior indirectamente, por serem perpendiculares às fachadas. Aproveitando a preponderância natural dos volumes de ardósia e dos rasgões, por serem elementos dissonantes na fachada, foram aí localizadas as duas entradas para a edifício.
Por conveniência para o funcionamento da galeria, foram reduzidas as entradas de luz natural, havendo apenas duas entradas directas e cinco difusas. Tal deve-se à necessidade de iluminação controlada para as maquetas e painéis, recorrendo-se a fontes artificiais.
A entrada sul, localizada num dos volumes de ardósia, recebe a forma deste através de marcação no pavimento. Este rectângulo de superfície em pedra, contrastando com a madeira dos restantes pavimentos, assinala ainda as comunicações verticais, sendo a plataforma de chegada das escadas e do elevador.
Apesar das limitações de espaço foi considerado essencial a instalação de um elevador, de dimensões mínimas suficientes para a utilização de uma cadeira de rodas, facilitando ainda o transporte de materiais para a exposição.
Todas as guardas e corrimões utilizados na galeria seguem um dos conceitos base do projecto, o de obstruir o menos possível a visão. São constituídos por simples perfis metálicos quadrados e por vidro duplo reforçado.
A última plataforma da galeria seria reservada para o funcionamento de um atelier de apoio às exposições e à realização de maquetas. Faria ainda, no entanto, parte do percurso da mostra, possibilitando a visita e observação de técnicas de construção de modelos. Localizando este atelier no final da exposição, assegura-se que apenas os realmente interessados farão a visita a essa espaço.
O programa para o projecto exigia a inclusão de uma habitação, para o proprietário da galeria. Por conveniência, esta foi localizada no último piso do edifício. O acesso é efectuado através das mesmas escadas e elevador da galeria, dada a impossibilidade física de fazer funcionar dois acessos verticais isolados.
A opção de reduzir o número de vãos para a galeria tem consequências na habitação. A abertura de vãos no último piso iria contra a imagem que se desejava para o edifício. Os vãos existentes, seguimentos dos envidraçados contínuos da galeria, são complementados por entradas de luz zenitais, sobre a sala, cozinha, espaço de circulação e instalação sanitária. Esta última recebe luz ainda da zona das escadas, através de um vidro fosco.
No piso -1 está localizada uma instalação sanitária e um armazém de material, de apoio à galeria.