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Plano de Pormenor para a futura expansão da cidade de Tavira
Professor José Ressano Garcia Lamas
Professor Carlos Dias Coelho, Professor João Teixeira da Costa
O desenvolvimento dos métodos de pensar o urbanismo e a cidade.
As várias escalas e fases que compõem o projecto, seja este de urbanismo ou de arquitectura, estão interligadas ente si. O desenho pensado para cada uma delas influencia e é influenciado pelas restantes.
O projecto deve ser pensado como um todo, e não como um mero somatório de desenhos e ideias desintegrados.
Deve haver um método de pensamento do abrangente para o pormenor, da maior para a menor escala.
No entanto, não deverá existir uma linearidade rígida de progressão ao longo das escalas. Qualquer ideia deve ser testada em todas elas antes de assumida e aplicada.
Por exemplo, a fase de definição das linhas gerais de um projecto urbano deve ser acompanhada por idealizações de espaços e ambientes que testem a viabilidade da grande escala.
Tal como, num projecto de arquitectura, deve haver um algum conhecimento prévio e experimentação de um processo construtivo antes da opção definitiva por um determinado aspecto final.
Este ano do curso foi totalmente dedicado à cidade de Tavira, numa tentativa de levar os alunos a conhecerem o mais aprofundadamente possível o seu objecto de estudo.
Foram abordadas as várias vertentes do urbanismo, tendo sido realizados exercícios variando desde o arranjo de um espaço público urbano, até ao colmatar e coser de um espaço residual na fronteira do centro histórico com o a envolvente mais recente, finalizando com um plano de pormenor para a futura expansão da cidade.
Uma análise extensiva do aglomerado em todas as suas características morfológicas, dinâmicas e sociais foi levada a cabo em conjunto pelos alunos das duas turmas, sendo os resultados desta análise as bases para os projectos a realizar.
O projecto para a expansão de Tavira tem como base a criação de uma nova centralidade, não em contraponto com o centro antigo mas em complemento deste.
A análise revelou a existência de equipamentos cruciais na área em estudo, a piscina municipal e uma escola secundária. Revelou ainda a falta de outros equipamentos, necessários à cidade em geral e a esta zona em particular, nomeadamente um pavilhão gimno-desportivo e uma escola primária.
Fazendo uso do poder atractivo dos equipamentos existentes e previstos, em complemento com habitação e alguns serviços, e em paralelo com a atracção natural do centro antigo, estariam então criadas as motivações para os movimentos de pessoas de e para esta nova área, efectuando de um modo natural a sua integração na vida da cidade.
Os equipamentos foram portanto reunidos em volta de um eixo/espaço central, parcialmente pedonal, dinamizador de toda esta área de expansão.
A estrutura viária principal do projecto é composta por duas vias direccionadas para sudoeste, no sentido do centro da cidade, e duas outras perpendiculares, viradas para as salinas, e desembocando na actual estrada que faz a ligação entre o centro e a N125. As duas primeiras vias foram desenhadas tendo em conta o traçado existente e ligando a este, de modo a tornar mais fluida a ligação ao centro.
O edificado existente, equipamentos e habitações, foram integrados na malha do projecto, minimizando a transição entre o traçado novo e os existentes.
Em termos de tipologia urbana, optou-se pelos tradicionais rua e quarteirão.
Vários estudos, em particular o "Morte e vida das grandes cidades americanas", de Jane Jacobs, apontam para o fracasso dos ideais urbanísticos do movimento moderno. Segundo estes, a rua era prejudicial e causadora dos muitos problemas de segurança nas cidades. Hoje em dia, pelo contrário, sabe-se que a rua, e a praça, são elementos aglutinadores e dinamizadores do espaço público.
No entanto, tentou-se fugir ao quarteirão tradicional. O seu interior, por ser fechado, ou pior, praticamente fechado, tem um carácter privado, mesmo que tenha acesso público. A sua consequente pouca utilização levará à sua degradação, ou, se aberto ao público, à delinquência.
Neste sentido, através das redes viária e pedonal os quarteirões foram rasgados, abrindo o seu espaço interior para a utilização geral, mesmo que apenas de passagem. Em complemento, foram criados espaços de estar nos interiores rasgados.
Tanto a rede pedonal como a rede viária privilegiam a direcção das salinas e da ria. A rede pedonal circula afastada da rede viária, pelos interiores de quarteirão referidos acima.
Tentou-se ainda que nos interiores de quarteirão houvesse um volume arbóreo que fizesse o contraponto com o volume edificado, prolongando para os percursos pedonais a sensação de "rua", no sentido de corredor ladeado por dois volumes.
A área a sul foi limpa dos edifícios degradados que lá se encontravam, abrindo a vista para as salinas. Estas serão alvo de uma limpeza e reabilitação, podendo este processo passar ainda pela construção de novas salinas junto à área urbanizada, no espaço deixado livre pelos edifícios demolidos.