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Reconversão da àrea da Feira Popular - Lisboa
Professor Pedro George, Assistente Sofia Morgado, Assistente Margarida Louro Oliveira
A feira popular de Lisboa é hoje um espaço completamente descaracterizado e desadaptado da sua função. Para além de uma degradação já avançada, não oferece um serviço com as mínimas condições para os dias de hoje.
É apenas uma manta de pequenos retalhos, que já há muito perderam a cor.
A sua envolvente urbana sofreu igualmente alterações profundas no seu ambiente, fazendo hoje parte do cento económico da cidade.
A mudança de local da feira popular para uma nova área mais condizente com os seus objectivos vem criar um vazio no centro da cidade.
Um espaço com imenso potencial, pois apenas em raríssimas ocasiões se abre um espaço de tais dimensões num ponto com estas condições de centralidade e acessibilidade.
A evolução natural da cidade não permite intervenções deste carácter.
Os conceitos investigados neste projecto surgem apenas em situações muito peculiares, como catástrofes naturais - por exemplo o incêndio no Chiado, em Lisboa - ou humanas - por exemplo o espaço ocupado pelo muro de Berlim, ou o World Trade Center, ou as Docks de Londres.
A sensação que se tem ao percorrer hoje o espaço da Feira está muito longe do carácter da envolvente.
Tal situação piora quando se pensa nas acessibilidades do local. Cruzam-se aqui a linha de Metro, a linha de caminho de ferro, e a Avenida da República, todos eles eixos de elevadíssima importância na dinâmica da cidade. Tal vai obrigar ao repensar do interface de transportes, optimizando o seu funcionamento e a sua relação com a envolvente.
Na base do desenho urbano da proposta estão os objectivos de fundo de manter uma linha de fachada, ou skyline, na continuidade da restante avenida, e ao mesmo tempo permitir uma forte permeabilidade para o interior, um espaço mais resguardado do excesso de trânsito e stress do eixo viário.
Foi igualmente considerado importante a criação de um Teatro, com sala de espectáculos, museu e biblioteca multimédia, em substituição do teatro actualmente existente, a criação ainda de um espaço de recepção e apoio a este, e de uma ligação entre o interface e o Teatro.
A solução foi encontrada através da implantação de vários blocos multifuncionais perpendicularmente ao eixo da avenida, que suportam um elemento maciço paralelo à via.
Entre o interface e a praça de enquadramento ao teatro foi delineado um espaço, ou percurso, por trás dos blocos perpendiculares. Não efectua apenas uma ligação pedonal, é também um espaço de estar, mais recatado e calmo.
O espaço intermédio entre os vários blocos perpendiculares é preenchido por vegetação, que efectua a transição, ou filtragem, entre a avenida e o espaço do interior.
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