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Projecto de Investigação "O espaço público em Portugal - A Praça"
Coordenadores Arqt. José Ressano Garcia Lamas, Arqt. Carlos Dias Coelho
Assistente Arq. Sérgio Fernandes
Colaboradores arqts. estag. Alexandre Branco, Carla Silva, Daniel Mateus
O objecto de trabalho foi o estudo do espaço público urbano em Portugal, ou mais especificamente aqueles espaços que têm como principal função a dinamização da vida da comunidade, as Praças. Pontos agregadores do espaço urbano, são essenciais ao funcionamento das cidades.
O interesse pela história e evolução das cidades e dos seus traçados, onde cada linha é o resultado de inúmeros acontecimentos sobrepostos, levou-me a escolher este estágio. Fascina-me o modo como o espaço urbano reflecte uma história por vezes já completamente esquecida.
O objectivo do projecto era a elaboração de uma compilação dos principais espaços públicos em Portugal, mais especificamente dos espaços de estada e permanência ou de representação.
No entanto, não se limitou o estudo aos espaços designados especificamente por "praça" ou "largo". Foi contemplada também uma multiplicidade de categorias de espaços largos das estruturas urbanas portuguesas - os "Rossios", os "Campos", as "Pracetas", etc. Inclusivamente, por exemplo, foram considerados espaços de designação de "Alameda", ou mesmo sem qualquer designação, mas cujo carácter é de estada ou permanência.
A investigação, portanto, não foi realizada tendo em conta a designação do espaço, mas sim a sua função e carácter.
Neste contexto, é ainda de referir a possibilidade de inclusão de outros espaços de grande escala, mais insólitos e monumentais, mas cuja morfologia ou configuração (tipológicas) não se possa inscrever na categoria de largo ou praça. São exemplos as grandes escadarias Barrocas, como a do Senhor Bom Jesus do Monte, em Braga ou de miradouros, como o de São Pedro de Alcântara, de Lisboa.
Foi decidida uma metodologia com base nas seguintes fases:
1. Cobertura total do país e inventariação das hipóteses.
2. Selecção dos casos que serão objecto de estudo.
3. Distribuição dos casos por dois modos de registo e apresentação, sendo denominados principais e secundários.
O modo secundário, baseado numa representação gráfica mais leve, permitia uma cobertura mais completa do território nacional.
O levantamento morfológico era constituído por uma planta a 1/5000, uma planta a 1/1000, perfis a 1/500 e uma perspectiva axonométrica a 1/1000.
A planta a 1/5000 apresentava claramente o espaço público e o privado. Com esta planta era possível obter rapidamente uma noção de todo o espaço público da cidade, podendo desde logo tirar algumas conclusões no que respeita às origens da morfologia do aglomerado e da praça.
As origens do espaço em estudo são muito difícil de separar da evolução urbana do aglomerado. O espaço é a consequência de uma infinidade de factores em jogo na constituição do conjunto urbano ao longo dos tempos.
A planta 1/1000, que representava mais pormenorizadamente o espaço em estudo e a sua envolvente, confirmava as conclusões extraídas da malha 1/5000. Podia-se então ter uma imagem das formas do espaço, das suas entradas e elementos marcantes, das sensações criadas, da sua relação com a cidade. Podia-se inclusivamente tirar novas conclusões e ideias relativas ao porquê do sucesso deste espaço.
A investigação histórica e tipológica levava, em conjunto com o levantamento, à compreensão aprofundada da existência do espaço, em si e no contexto da cidade.
O que faz surgir uma praça ou largo, se ele nasce ao longo dos tempos, sem que ninguém interfira (ou com a interferência de todos), ou se é fruto de um desenho pensado e implementado. O que faz de um espaço um local de qualidade.
Dos vários espaços estudados, que chegaram a numerar 150, foram escolhidos dois que são aqui apresentados como exemplos do trabalho realizado.